Burnout é considerado doença ocupacional pela OMS

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Insights

16/05/2022

Burnout é considerado doença ocupacional pela OMS

Segundo especialistas, o exemplo da liderança e o apoio do RH são fundamentais para cuidar da saúde mental dos colaboradores.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) a ansiedade atinge cerca de 264 milhões de pessoas em todo o mundo e deste total  18 milhões são brasileiros. A pandemia agravou ainda mais esse cenário e as empresas passaram a olhar com mais cuidado para a saúde mental de seus colaboradores. 

Nunca se falou tanto em burnout, ansiedade, depressão e estresse no ambiente de trabalho.  E desde janeiro deste ano, a OMS passou a considerar o burnout uma doença ocupacional.  Na prática, as empresas passam a ter mais responsabilidade em relação ao bem-estar mental de seus funcionários.

O assunto também está presente na agenda ESG das corporações, e não há como avançar se o problema não for tratado. Na Ambev, por exemplo, desde 2020 a saúde mental ganhou uma diretoria exclusiva e dedicada ao assunto. O problema começou a ser monitorado durante a pandemia.  A empresa fez um levantamento das questões que incomodavam seus funcionários e criou ferramentas de comunicação para compartilhamento de angústias. 

Apesar do exemplo, muitas organizações ainda não conseguiram avançar com esse tema. Uma pesquisa da Oracle em 11 países mostrou que 76% dos funcionários consideram que suas empresas precisam fazer mais para proteger a saúde mental. No Brasil, o número é maior – 84%.

O Professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV EASP) Umesh Mukhi é um estudioso de temas como Comportamento Organizacional, Sustentabilidade, Espiritualidade e Liderança Intercultural. Em suas aulas ele ajuda executivos a lidar com os problemas relacionados a saúde mental. Segundo o professor, a liderança também é afetada com problemas psicológicos e isso faz com que as empresas tenham prejuízos e percam talentos. Umesh avalia que faltam instrumentos e práticas dentro das organizações para detectar esses problemas. “Alguns líderes inconscientemente agravam a situação exercendo muita pressão em seus colaboradores, sem saber o impacto que isso pode causar. Em muitos casos, há falta de empatia, compaixão, e pouca socialização com a equipe”, explica.  Umesh acredita que a alta direção tem uma grande responsabilidade com o bem-estar dos funcionários. “O CEO deve, em primeiro lugar, cuidar de si mesmo e exercer seu poder de liderança, com empatia, compaixão ajudando os colaboradores a enfrentarem qualquer tipo de doença. Ele defende que a finalidade da área de Recursos Humanos é dar suporte e encontrar soluções inovadoras através de treinamentos, pesquisas, aplicativos, e ajuda com médicos e especialistas.

Nos cursos de Educação Corporativa da FGV o professor aborda desde casos de executivos que enfrentaram o burnout e a depressão até histórias inspiradoras de líderes como Nelson Mandela, Abraham Lincoln e Mahatma Gandhi.Há também conversas sobre meditação e espiritualidade que ele trouxe da índia seu país de origem. “Tudo depende do perfil da turma e as práticas são democráticas respeitando as crenças e ideologias de cada um”, explica. Umesh diz que apresenta a seus alunos casos relativos à saúde mental discutidos em Harvard, mas também tem interesse em conhecer as práticas aplicadas no Brasil. O professor acredita que é importante discutir em sala de aula temas sensíveis como suicido ou morte no mundo corporativo. "Isso estimula reflexões e amplia o debate sobre comportamento de organizações e de seus líderes", conclui.

Segundo especialistas, os transtornos mentais têm causas múltiplas e se manifestam de maneira diferente em cada um; por isso, é preciso manter um canal de comunicação aberto para que as empresas possam ouvir as queixas de seus colaboradores. Faltas constantes, queda na produtividade, mudanças repentinas e ausência de comunicação são alertas que devem ser levados em consideração.  A principal dica é buscar ajuda de profissionais especializados como psicoterapeuta e o médico psiquiatra.

Muitas empresas já começaram a agir e adotaram a flexibilização na carga horária de trabalho além de oferecerem benefícios como atividade física e ajuda terapêutica. Mesmo assim, o exemplo da liderança continua sendo fundamental para melhorar o ambiente de trabalho. Ações periódicas de treinamento, cursos para os gestores são importantes para atualizar e disseminar a política da companhia.

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