Saúde Mental: O papel da liderança e do RH na qualidade de vida dos colaboradores

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Insights

02/10/2023

Saúde Mental: O papel da liderança e do RH na qualidade de vida dos colaboradores

Nunca se falou tanto em burnout, depressão e estresse no ambiente de trabalho. O assunto tornou-se ainda mais importante após a pandemia da Covid- 19 quando houve um aumento dos casos relacionados à saúde mental. Uma pesquisa realizada pela FGV em parceria com as empresas Talenses e Gympass confirmam essa preocupação: Quase metade dos colaboradores entrevistados estão sobrecarregados e 31% dos sofrem pressão por resultados e metas.

A pesquisa, conduzida por Paul Ferreira, vice-diretor do Núcleo de Estudos em Organizações e Pessoas (NEOP) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV EAESP), revela que apesar das empresas terem iniciativas para cuidar da saúde mental, a percepção dos colaboradores é diferente. De acordo com 75% dos entrevistados, os benefícios atuais oferecidos pelas empresas não são suficientes para a ajudar a manter a saúde mental. “Muitas empresas oferecem apoio psicológico e ampliaram seus planos de saúde e benefícios; mas, também vemos muitas organizações incoerentes com essas políticas. Além disso, muitos colaboradores têm sido demitidos sem o mínimo de cuidado”, explica.

Na visão do especialista, existe um descompasso entre a comunicação e implementação dos benefícios nas empresas. Paul destaca que muitas organizações oferecem benefícios ligados ao bem-estar físico e mental, mas têm dificuldades de comunicar e implantar a prática dessas atividades entre os seus colaboradores. “Existe o termo “health whashing” uma alusão ao greenwashing (quando empresas tentam associar um serviço ou produto como ambientalmente responsável, mas na prática não é verdade). Algumas empresas criam programas, mas fazem exigências e cobranças que prejudicam o colaborador”, avalia.

Segundo Paul, o bem-estar dos colaboradores também está relacionado a forma de gestão. Por isso, muitas empresas devem aproveitar para rever as condições de trabalho e analisar, por exemplo o relacionamento entre os profissionais e seus supervisores e a carga de trabalho excessiva. “É hora de pensar no significado do trabalho e isso vai além da remuneração, tem a ver com propósito e com a satisfação”, diz Paul.

Ainda de acordo com a pesquisa, os profissionais disseram que necessitam de um apoio holístico para cuidar da saúde mental. Fazer terapia, mudar de emprego, reduzir horas de trabalho e até mesmo pedir demissão estão entre as principais atitudes adotadas. Outros benefícios como yoga, mindfulness e rodas de conversas também foram considerados importantes.

O fato é que as perdas financeiras geradas pelo burnout e pela depressão podem ajudar os líderes a entenderem a importância do assunto, pois o investimento nesses programas de saúde mental tem um ROI comprovado. Afinal, as organizações que realmente cuidam de seus colaboradores conseguem reter seus talentos e com isso, se tornam mais inovadoras e alcançam resultados para o crescimento sustentável do negócio.

 

Ouça a entrevista completa de Paul Ferreira no podcast FGV In Company Insights

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